Ficámos todos muito agradecidos a Vítor Gaspar por permitir que uma boa parte do nosso dinheiro vá servir para financiar e capitalizar as empresas portuguesas. Isto significa que a sua excelente equipa, de grande valia técnica e politicamente aplaudida nas mais altas instâncias, nos tenha escolhido a todos nós - trabalhadores de rendimento suave - para substituir não só os sócios e accionistas, actualmente sem liquidez, como também todos os bancos nacionais, a braços com um longo processo de redução generalizada de crédito (desalavancagem).
Estamos portanto muito envaidecidos por nos ter sido dada esta oportunidade de fazer um pequeno sacrifício pela nossa economia, pois sentimos que temos pujança financeira para tal.
Por outro lado, estamos certos que qualquer redução no nosso consumo motivada por este ligeiro esforço adicional nos será devidamente perdoada. Igualmente, não duvidamos que o aumento do desemprego em que, por falta de sorte, possamos incorrer será considerado aceitável no âmbito desta recessão que teima em não nos largar.
A nossa vasta classe média baixa, que sempre deu provas de grande humildade e de enorme orgulho nacional, dá assim gostosamente um novo passo em frente para o bem de todos e fica disponível para novos desafios.
António Carvalho e Palma
quarta-feira, setembro 12, 2012
terça-feira, outubro 05, 2010
Basta!
Sinto-me a sufocar cada vez mais em Portugal, um país a descer seguramente para o terceiro mundo, com um povo ignorante, timorato e sem vontade própria, que parece viver à margem de toda a sua triste realidade, deixando que lhe façam tudo e o deixem cada vez mais atrasado e pobre. Eu nunca fui adepto do patriotismo do pastel de bacalhau e da sardinha assada, mas o patamar a que estamos a chegar - de total incapacidade de governo, de impossibilidade de qualquer base de civilização funcionar minimamente, faz-me desejar fugir daqui a sete pés. E o facto é que talvez o faça mesmo, pois quero ver se aplico o "quem não está bem muda-se". E eu não me estou a ver a pagar com os meus impostos o TGV, o Aeroporto, a nova Ponte sobre o Tejo, etc. etc. É que, qualquer pessoa, se não tem dinheiro que chegue para o dia a dia e se também não tem hipótese de alguma vez pagar os empréstimos que contraíu, então não pode gastar ainda mais, pois o mais certo é entrar rapidamente em insolvência.
Esta é a situação do Estado português que, pela amostra presente, só tem tendência a piorar.
Esta é a situação do Estado português que, pela amostra presente, só tem tendência a piorar.
sábado, março 13, 2010
Nós
Reparei hoje, de novo, que o meu cão está triste, bastante triste. Sente-se, por certo, cada vez mais velho com as suas patas a teimarem em não o deixar andar como ele gostaria.
Não posso fazer mais do que dar-lhe alguns remédios e a melhor comida possível.
Mesmo assim, vou-lhe descobrindo lampejos de alegria e alguns pequenos grandes prazeres - como dormir ao Sol e comer o seu biscoito preferido.
Tudo isto tem uma relevância absoluta no âmbito restrito do cão e do seu dono - neste caso, deste Labrador e eu - e não importa o seu carácter relativo na ordem geral das coisas.
O importante é que amanhã é mais um dia e é preciso aproveitá-lo.
Não posso fazer mais do que dar-lhe alguns remédios e a melhor comida possível.
Mesmo assim, vou-lhe descobrindo lampejos de alegria e alguns pequenos grandes prazeres - como dormir ao Sol e comer o seu biscoito preferido.
Tudo isto tem uma relevância absoluta no âmbito restrito do cão e do seu dono - neste caso, deste Labrador e eu - e não importa o seu carácter relativo na ordem geral das coisas.
O importante é que amanhã é mais um dia e é preciso aproveitá-lo.
domingo, março 08, 2009
Ser Rico
Quando tinha cinco ou seis anos (já lá vão um pouco mais de cinquenta...), lembro-me que uma tia minha arranjou uma bitola que rapidamente indicava quem era rico e quem não era. Dizia ela que era preciso ter mil contos, o que naquela altura era realmente uma verba astronómica. Pelo menos, para um miúdo como eu.
É natural que essa bitola tenha vindo a subir, de milhão em milhão até ao bilião (que para nós, humildes portugueses, nunca é referido quando se fala em mil milhões) e por aí fora até quase ao infinito.
Com crises ou sem crises, e com muitas dívidas a sustentar essa riqueza, é cada vez mais distante a hipótese de um mero cidadão vulgar como nós vir a ascender a esse patamar.
quinta-feira, outubro 25, 2007
Farmácias sorteadas
As farmácias são um negócio, aliás um excelente negócio, em paralelo com o papel decisivo de interesse público que representam.
O que eu não sabia era que seria adequado estipular em letra de lei que o sorteio é o mais indicado para determinar o vencedor de concursos públicos para abertura de qualquer nova farmácia. Mas a edição de hoje do Diário de Notícias, que teve acesso ao projecto de portaria do Ministério da Saúde, explica-nos isso claramente.
Com efeito, em primeiro lugar observam-se os parâmetros legais que são taxativos e que dão preferência a novos proponentes sem ligação a qualquer farmácia existente. Depois, será o sorteio que decidirá, que conforme estipula o diploma legal é a forma mais “equitativa, transparente e objectiva” que se pode encontar.
Não sei porquê mas acho falta de imaginação a mais e o meu (bom) senso tende a não aceitar isto.
terça-feira, outubro 23, 2007
Uma história de dois escritores
Penso não errar ao dizer que José Rodrigues dos Santos e Miguel Sousa Tavares são os escritores nacionais cujos livros têm maiores tiragens.
O facto curioso é que ambos têm, nesta semana, mais um livro nas livrarias. Do primeiro, saíu no sábado "O Sétimo Selo" e, do segundo, vai ser publicado "Rio das Flores" na próxima 5ª. feira.
Eu, que talvez espere muito desta última obra de Sousa Tavares, tenho também uma grande admiração pela capacidade de escrever rapidamente (incluindo as demoradas pesquisas) de Rodrigues dos Santos.
É que uma das maiores qualidades de um escritor (para além de outras, obviamente) é a fluência e este requisito está garantido por quem escreve livros interessantes (e longos) quase de seis em seis meses.
segunda-feira, outubro 22, 2007
Um problema anunciado
De repente, devido aos variados problemas que têm atingido o BCP (nunca me habituei a usar a nova designação de Millennium), o País depara-se com a possibilidade de uma fusão deste banco com o BPI. Ora, La Caixa é o maior accionista de ambos e esta instituição, que tem reforçado a sua posição, obviamente poderá querer ter uma participação ainda maior.
Naturalmente, eu não acredito que um eventual novo banco assim criado, que seria o maior da nossa praça, possa ser controlado por um banco espanhol. É que os centros de decisão nacional, para certos casos, não são uma palavra vã!
Vai haver muita "negociação" de altíssimo nível com muitos intervenientes, onde provavelmente a Caixa Geral de Depósitos poderá ser a base da solução.
domingo, outubro 21, 2007
Uma pessoa corajosa
Quando o Procurador-Geral da República, figura de grande idoneidade nacional, nos vem confidenciar que o seu telefone pode estar sob escuta, sem ele saber, é mais um bocado do nosso castelo de areia que se esboroa – a juntar a muitos outros casos e situações – e nos faz descrer mais um pouco da sociedade em que vivemos e dos valores que nos regem.
Não quero acreditar que algumas coisas graves que ele disse na entrevista ao Semanário SOL fossem somente um palpite ou uma convicção. Mas as críticas profundas que expressou sobre várias entidades, levam-me a ter esperança que, com o seu estilo franco e voluntarioso, possa fazer muito mais pela nossa justiça do que os seus antecessores.
sábado, outubro 20, 2007
O progresso em Portugal
Nós somos mesmo assim: temos imensas coisas que são das melhores da Europa, imensas outras que são únicas no mundo e por aí adiante. Não há nada a fazer, somos uns exagerados convencidos e cheios de ilusões.
Vem isto a propósito de um caso ao mesmo tempo louvável e incrível. Tem a ver com a implantação de energias alternativas em Portugal e às condições de atraso dos locais escolhidos.
Efectivamente, “o maior parque eólico da Europa”, de 120 geradores, previsto para começar a funcionar em 2008 no concelho de Monção e arredores, parece ir dar escassas contrapartidas a determinadas Juntas de Freguesia. Que são exactamente as que irão ver o progresso ser implantado nas suas terras enquanto as populações continuam a não possuir abastecimento de água ao domicílio, a desconhecer o saneamento e a ter maus acessos rodoviários.
sexta-feira, outubro 19, 2007
A Hora de Portugal?
E a vida segue esplendorosa neste Portugal Presidente da União Europeia! Conseguimos o tratado, acho que o trabalho diplomático foi diligente e atento. Nem parece que estamos a caminhar para a cauda da Europa, pois não?
Mas não sejamos derrotistas, que diabo!
Também o novo Orçamento para 2008 põe o défice nos trilhos, mais uma vez para agradar a Bruxelas. Eu até acho bem que agrademos à Europa, o que eu já não acho tão bem é que seja a classe média baixa a pagar tudo. Sim porque somos nós mesmo que pagamos as contas todas. Isto para além das necessárias benesses de Bruxelas (só é pena que ainda tenhamos a mentalidade da "mão estendida").
Mas em termos de desenvolvimento, Portugal tem um problema grave. Adoptando sempre as mesmas práticas e efectuando escassso investimento tecnológico, não dá para esperar que os resultados (leia-se as nossas vidas) possam ser diferentes.
quarta-feira, outubro 17, 2007
Tempos difíceis
Ao mesmo tempo que, no seu conjunto, a economia mundial sobe, existem cada vez mais motivos de preocupação pela situação política internacional.
A queda do dólar americano está praticamente imparável e os seus efeitos colaterais fazem-se sentir com grande intensidade: o preço do petróleo (e de outras importantes matérias-primas), numa época que costuma ser de menor procura, está numa tendência de subida fortíssima batendo sucessivos records.
É que as maiores economias emergentes, que estão a registar um grande crescimento, têm enormes reservas na divisa americana e quando esta perde muito valor torna-se imprescindível aplicá-la na compra dos factores de produção de que esses países necessitam.
terça-feira, outubro 16, 2007
A economia do insucesso
Francamente, não sinto a nossa economia a crescer. Mas admito que as estatísticas que andam por aí possam encontrar uma leve tendência de crescimento. Não se vê bem onde nem se acredita numa situação sustentada que, em qualquer caso, não chega para evitar o nosso atraso relativamente à União Europeia, que já começa a ser um fado português.
Após o FMI ter revisto em baixa o crescimento económico de Portugal para 2008 , de 2,1% para 1,8%, vem agora Vítor Constâncio dizer que essas previsões são "excessivamente pessimistas". Para ele, devemos acreditar mais nas estimativas do Banco de Portugal que nos surpreende com uns mais substanciais 2,2%, embora acrescente "que subsistem riscos para a economia portuguesa".
Ficámos a saber que umas míseras 4 décimas de diferença constituem um excessivo pessimismo. Ao que nós chegámos: andamos a contar as migalhas, a esgrimir uns números que, mais tarde, se os pressupostos não se concretizarem, ainda podem ser muito piores.
segunda-feira, outubro 15, 2007
A nossa força
Hoje é "Blog Action Day" dedicado ao meio ambiente.
"Não estragar o ambiente " é um objectivo eminentemente social, especialmente se estamos a referir-nos à melhor preservação do nosso planeta. A palavra ambiente começa a estar um pouco gasta mas isso é o preço a pagar pela consciência que todos devemos ter sobre a necessidade de acautelar os problemas da qualidade de vida.
Com o nosso minúsculo quinhão, podemos ajudar activamente a não deixar problemas cada vez maiores para as gerações futuras.
Bom Dia!
domingo, outubro 14, 2007
Prémio de antiguidade?
Salvo raras excepções, há bastantes anos que o Prémio Nobel da Literatura vem sendo atribuído a escritores extremamente idosos, dando a ideia que a lentidão da ponderação da academia ultrapassa todas as medidas.
Conceder o Nobel a autores na parte final da sua vida, fazendo um último esforço para os apanhar ainda a tempo não é um exercício recomendável, dando a errada ideia de que se trata de um prémio de antiguidade.
A atribuição do prémio a Doris Lessing, para além de outras interrogações, põe a seguinte questão: se merecia o Nobel porque não o teve aos 57 em vez de aos 87?
sábado, outubro 13, 2007
Scolari e as vitórias morais
Como nós pensávamos que tinham ficado definitivamente para trás as vitórias morais, Scolari veio enfim colocar as coisas no caminho certo. Jogo após jogo em que devíamos ganhar mas em que, amedrontados, parados e confusos entregámos o empate aos nossos dois principais adversários.
Até parece que a reacção de Scolari contra o jogador sérvio teve a mesma génese: foi sem jeito, não foi carne nem peixe e mostrou mais desalento que intenção.
Será que Murtosa não vai baralhar mais a questão? Esperemos que as coisas não corram assim tão mal!
domingo, outubro 29, 2006
Crescimento de qualidade, precisa-se!
Na sua crónica deste sábado no Expresso, Daniel Bessa dá-nos uma interessante notícia quando nos informa que as organizações internacionais estimaram a nossa taxa de crescimento do PIB potencial em 1,4%. Este número médio, que mede as nossas capacidades no longo prazo, é extremamente baixo e, nas próprias palavras daquele economista, é “pior que os 4% do PIB de défice das contas públicas ou os 10% do PIB de défice das contas externas”.
Curiosamente, numa outra crónica da mesma edição daquele semanário, Daniel Amaral lembra-nos que o crescimento global vai fazer emergir dentro em pouco outras grandes potências económicas, como a China e a Índia, que passarão a ser superiores à União Europeia.
Falar num crescimento médio tão diminuto como esses lamentáveis 1,4%, leva-nos directamente à procura de uma causa lógica imediata para o que se passa em Portugal. Com a grande maioria dos investimentos em turismo, obras e construção e grandes superfícies comercias, não chegaremos a lado nenhum. Desta forma, cada vez será mais difícil crescer e nunca atingiremos qualquer nível minimamente adequado de qualidade de vida.
Pensando bem em tudo isto, há um aspecto não mencionado e que começa a assumir uma importância decisiva. É a qualidade do nosso crescimento. Não chega falar em investimentos produtivos, quando precisamos que eles sejam bastante reprodutivos, com alto valor acrescentado e em sectores de grande impacto tecnológico e industrial.
Considero que aqui se irá desenrolar a derradeira batalha a que o nosso país não poderá fugir.
domingo, outubro 22, 2006
Uma questão de bom senso
Será que o Estado Português chegou a esse triste patamar em que a falta de senso ganhou uma posição invejável de normalidade e até destaque?
O que poderemos dizer de um governo que não arranja outras soluções senão ir buscar dinheiro a quem mais precisa de ajuda?
Sim, porque em vez de – por exemplo - tributar os bancos de forma mais equitativa, carrega agora sobre os pensionistas que ganham mais de 435 euros por mês. E em relação aos deficientes de menores recursos, diminui-lhes o rendimento disponível de forma dramática que afectará ainda mais a sua vida.
Uma coisa é já não esperarmos nada do Estado, outra é assistirmos a esta cavalgada que nos conduz até níveis utópicos, em que o estilo de merceeiro faz tábua rasa de padrões de dignidade que passaram a ser inalcançáveis para um número cada vez maior de portugueses.
sábado, setembro 16, 2006
Bento XVI
Será que o Papa disse mesmo o que eu ouvi ontem de raspão no telejornal? Terei ouvido bem?
Com o respeito que é devido a uma pessoa que ocupa um cargo decisivo no mundo ocidental, tenho que dizer que o bom senso, aquela qualidade tão simples e necessária na vida de todos nós, esteve completamente alheia das palavras proferidas por Bento XVI.
Ainda me custa a acreditar!
quarta-feira, setembro 13, 2006
Profissionais da cassette
Passado o 11 de Setembro, é agora mais do que tempo de, friamente, tecer algumas considerações sobre a incrível forma como foi analisada aquela data no programa Clube de Jornalistas, há alguns dias atrás na 2. Para além de ser um escândalo que este canal público (sustentado por todos nós) possa ser usado como se fosse uma coutada particular, algumas personalidades ditas de esquerda, que se julgam donas de todas as verdades, conseguiram conspurcar intelectualmente aquele ambiente televisivo, atingindo níveis dramáticos de despudor e agudo facciosismo.
Estas pessoas ainda não perceberam que o problema do 11/9 deve ser tratado com humanidade, inteligência e bom senso, que os EUA não têm como sinónimo George W. Bush e que a verdadeira causa do terrorismo dos nossos dias tem uma base muito mais ideológica do que religiosa.
Como eles gostavam de nos obrigar a pensar como eles!
terça-feira, setembro 12, 2006
Como é que estamos?
O mundo estará mesmo a ficar um lugar menos perigoso? Embora vivamos sempre com a sombra (longínqua?) do terrorismo, parece que estamos numa fase de boas notícias – os capacetes azuis da ONU estão a caminho do Líbano, o Irão amolece as suas pretensões nucleares e a Europa está a iniciar uma nova fase de maior crescimento económico. Mesmo a nível interno, poderíamos afirmar que as coisas não vão completamente mal.
Só que cada vez o mês é mais longo para o dinheiro da maioria dos portugueses. Essa é que é a dura realidade. E como o problema não é do calendário pendurado na parede, onde os dias correm devagar, penso que estamos cada vez mais a rebentar pelas costuras.
Estou a ver que vamos levar estes anos todos a arrumar a casa e, a seguir, um qualquer rol de promessas eleitorais vai fazer estragar tudo de novo e voltaremos a problemas ainda maiores do que os actuais.
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